2.2. Teorias Fenomenológicas e Humanistas

É difícil precisar a filiação epistemológica para o grupo de teorias fenomenológicas e humanistas. Podemos considerá-la relacionada com o criticismo Kantiano e com seus desdobramentos através do idealismo e da fenomenologia. Como representantes dessas teorias, citamos: Maslow (1972), Rogers (1975) e Comb (1975).

Postula uma consciência a priori intencional, uma consciência constituída pela relação sujeito-objeto, em que o sujeito individual é a origem e o fim do conhecimento. A compreensão do humano se dá para além da visão mecanicista ou racionalista, mas como um ser que dirige e avança a partir de suas experiências e valores perspectivadores do próprio bem estar e realização pessoal.

Para as Teorias fenomenológicas Humanistas o passado de uma pessoa e o seu organismo biológico não determinam seu modo de viver, o jeito de ser no mundo está relacionado com a percepção da realidade (fenômeno). O papel da Psicologia, e por extensão, da educação passam a ser: promover possibilidades de visualização dos fenômenos humanos e si mesmo e alternativas de avanço.

A contribuição dessa sistematização teórica refere-se ao avanço que impacta no pensamento científico acerca do humano, oferecendo uma alternativa ao reducionismo behaviorista — que coloca o comportamento humano como sendo respostas a estímulos — e reagindo à irracionalidade psicanalítica — que postula o inconsciente como mola mestra das manifestações humanas.

A principal contribuição para a educação refere-se á defesa de uma aprendizagem significante, não circunscrita à acumulação de informações, mas que provoque reorganização dos valores e atitudes na vida do ser em todos os seus aspectos: emocionais, cognitivos, sociais e físicos, dentre outros. Para tanto a aprendizagem deve ser auto iniciada pelo aluno a partir de seus interesses e objetivos, processo no qual o professor é um facilitador e não apenas um planejador curricular, ou mero usuário de livros e outros recursos, ou elaborador de provas e atribuidor de notas.

O que implica dizer que “o professor deixe o aluno livre para aprender, para escolher o seu próprio curso de ações; que o professor tenha uma confiança básica de que o aluno é digno e merecedor de oportunidades para o seu desenvolvimento; que o professor tenha compreensão empática, ou seja, que consiga colocar-se no lugar do estudante.” COUTINHO (1999).