4.4. Desenvolvimento físico e cognitivo do adolescente

4.4.1. Desenvolvimento Físico

De acordo com Sprinthall (2008) fisicamente os adolescentes passam por mudanças hormonais promovidas pelo hipotálamo, que estimulam os órgãos sexuais a produzir certos hormônios. Em análogo a essa maturação sexual o desenvolvimento corporal vai se efetuando, com o crescimento de membros inferiores e, posteriormente, os membros superiores e troncos. Isto pode originar desequilíbrios proporcionais e desconforto físicos e que, as vezes provocam embaraçados em certas situações sociais.

Após a puberdade ocorre o crescimento ponderal com o aumento da massa muscular nos rapazes, e de tecido adiposo nos homens. Paralelamente, ocorrem alterações do sistema digestivo e do índice metabólico, que trazem distúrbios alimentares e aumento do apetite. Estas alterações da alimentação podem desencadear, devido à hipersensibilidade com o corpo, comportamentos como a anorexia, bulimia, irritabilidade, sentimentos de culpa, isolamento e depressões.

Essa evolução física e sexual acelerada, deve estar em sintonia com o ritmo do desenvolvimento cognitivo, para que não desencadeie comportamentos desviantes em relação às normas impostas pela sociedade.

4.4.2. Desenvolvimento cognitivo e aprendizagem adolescente 

As transformações a nível intelectual são de extrema importância durante a adolescência, visto que, nessa fase, a inteligência toma a sua forma final com o pensamento abstrato ou formal. Para Piaget (1949), ocorre entre os 11-12 anos e os 14-15 anos. Estas modificações podem influenciar no entendimento das regras. Esse pensamento tido como período das operações formais, vai ajustar o adolescente ao mundo real e ao seu quotidiano, além disso, proporcionando a capacidade de formular grandiosas teorias e ideias.

Para Piaget as transformações emocionais que ocorrem na adolescência dependem das transformações cognitivas e, uma das grandes transformações do estágio de desenvolvimento operatório formal é o surgimento do pensamento hipotético-dedutivo, diferente do estágio operatório concreto, em que a criança apenas raciocina sobre proposições que julgasse verdadeiras, apoiando-se no concreto para isso.

Na fase da adolescência o ser humano torna-se capaz de raciocinar corretamente sobre proposições em que não acredita, ou ainda não acredita, isto é, ou seja, pensa e reflete hipoteticamente. Desta forma, adquire a capacidade de ultrapassar, pelo pensamento, situações vividas e a projetar ideias para o futuro.

Na fase adolescente o ser humano desenvolve a capacidade para pensar sobre o seu próprio pensamento e sobre o pensamento dos outros, chamada de metacognição (Sprinthall, 2008).

A autorreflexão permite um amplo alargamento da imaginação. Os adolescentes podem tomar consciência da forma como conhecem para além daquilo que conhecem, outra característica importante do pensamento adolescente é a tomada de consciência da variedade de estratégias de aprendizagem que poderão ser utilizadas. Com isto as oportunidades de autocorreção em nível de resolução de problemas são muito maiores. Os adolescentes têm a capacidade de falar consigo próprios, processo este, por vezes, designado de diálogo interno, e chegar a novas formas de compreensão sem estarem presos a experiências concretas.

A metacognição traz a consciência sobre o fato das pessoas serem diferentes e terem pensamentos diferentes sobre a mesma situação ou ideia, havendo uma variedade de pontos de vistas, diferentemente, das crianças mais novas que tendem a pensar que todos nós encaramos as situações da mesma forma que elas, esse comportamento passa a ser chamado de egocêntrico, centrados na sua própria perspectiva.

Para um melhor desenvolvimento intelectual, as influências e os estímulos externos são de grande importância por serem modelos para os adolescentes e constituírem uma estimulação. Existem formas poderosas de estimular o pensamento abstrato. Para Sprinthall (2004) são o visionamento de filmes ou vídeos e a participação em atividades artísticas, tais como pintura, o drama, a dança e a música. Quanto mais ativo for o processo simbólico, tanto maior o estímulo ao desenvolvimento cognitivo.

Durante este estádio, escrever poemas é mais eficaz do que ler poemas; fazer filmes é mais eficaz que visioná-los; participar numa dramatização de improviso é mais eficaz do que observá-la. Pois na perspectiva piagetiana, o desenvolvimento cognitivo depende da ação, em qualquer dos estádios. Em todos os seus trabalhos ele tem uma frase chave: a ação produz desenvolvimento (SPRINTHALL, 2004). Para Piaget (1970), a atividade de assimilar certas experiências do meio circundante força a criança a acomodá-las ou internalizá-las. Esta internalização de experiências é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, o qual sugere que o desenvolvimento mais completo tem lugar quando as crianças assimilam experiências do seu meio, porque só então são capazes de acomodar ou internalizar essas experiências.