4.5. Desenvolvimento do Idoso

O envelhecimento é definido como um conjunto de transformações que ocorrem com o avançar da idade. É um processo inverso no desenvolvimento humano. Enquanto que na infância é evolução, na senescência é involução. O declínio das capacidades funcionais e das aptidões inicia-se na fase adulta e se precipita no envelhecer. De acordo com Souza (1998) o envelhecimento se caracteriza por algumas perdas das capacidades fisiológicas dos órgãos, dos sistemas e de adaptação a certas situações de estresse. Tal fenômeno é universal, progressivo, na maioria das vezes irreversível e resultará num aumento exponencial da mortalidade com a idade, bem como mais probabilidade de doenças. No entanto, a ocorrência de uma alimentação balanceada, a prática regular de exercícios físicos, o viver em um ambiente saudável, além dos progressos da medicina, têm levado a subverter este conceito e aumentar a longevidade. Muitos dos problemas que eram considerados elementos inevitáveis da idade avançada, agora são vistos como parte do processo de envelhecer, resultantes do estilo de vida ou de patologias.

De acordo com Papalia (2010) o envelhecimento primário é um processo gradual e inevitável de deterioração física que começa cedo na vida e continua ao longo dos anos, não importa o que as pessoas façam para evitá-lo. Ocorre de forma semelhante nos indivíduos da mesma espécie, de forma gradual e previsível. O sujeito está dependente da influência de vários fatores determinantes para o envelhecimento, como estilo de vida, alimentação educação e posição social, embora as suas causas sejam distintas.

O envelhecimento secundário é o envelhecimento resultante das interações das influências externas, e é variável entre indivíduos em meios diferentes. É resultante de doenças, abusos e maus hábitos de uma pessoa, fatores que em geral podem ser controlados.

Saúde e longevidade estão intimamente relacionadas à educação e outros aspectos do status socioeconômicos. Alguns estudiosos classificam os indivíduos idosos, situando-os em categorias funcionais, que são: meia-idade; velhice; velhice avançada; e velhice muito avançada. Porém, segundo Papalia (2010), a classificação mais significativa é por idade funcional, que é a capacidade de uma pessoa interagir em um ambiente físico e social em comparação com outros da mesma idade cronológica. A diferença individual determina como cada ser humano irá envelhecer. Entretanto variáveis como sexo, herança genética e estilo de vida contribuirão determinando entre homens e mulheres as diferenças nos ritmos de envelhecimento que cada um apresentará.

Segundo, ainda, Shephard (2003), a categorização funcional do idoso não depende apenas da idade, mas também de sexo, estilo de vida, saúde, fatores sócio-econômicos e influências constitucionais, estando provado, assim, que não há homogeneidade na população idosa. A idade funcional está estreitamente ligada à idade subjetiva do indivíduo. Várias áreas de pesquisa tem se debruçado sobre o estudo do envelhecimento, como a Gerontologia e a Geriatria.

4.5.1. Desenvolvimento Físico 

Longevidade e envelhecimento

A expectativa de vida aumentou pragmaticamente desde 1900. Pessoas brancas tendem a ter mais longevidade de que pessoas negras, e as mulheres mais que os homens; por isso, o número de mulheres mais velhas ultrapassa o de homens mais velhos em uma proporção de três para dois.

As taxas de mortalidade têm diminuído, doenças cardíacas, câncer e derrame são as três principais causas de morte para pessoas com mais de 65 anos. A senescência período do ciclo de vida marcado por mudanças físicas associadas ao envelhecimento começa em idades variadas para as diferentes pessoas.

As teorias de envelhecimento biológico enquadram-se em duas categorias: teorias de programação genética, sugeridas pelo limite hayflick, e teorias de taxas variáveis, (ou teorias de erro), como aquelas que apontam para os efeitos dos radicais livres e da autoimunidade.

As curvas de sobrevivência apoiam a ideia de um limite definido para o ciclo de prolongamento de vida através de manipulação genética ou de restrição calórica, alguns teóricos contestam essa ideia.

4.5.2. Mudanças Físicas

As mudanças no sistema e nos órgãos corporais com a idade são altamente variáveis e podem ser resultado de doenças, o que, por sua vez, é influenciado pelo estilo de vida. As mudanças físicas comuns incluem perda de coloração, de textura e de elasticidade da pele, o branqueamento dos cabelos diminuição da estatura, comprometimento ósseo, tendência a dormir menos. A maioria dos sistemas corporais costuma continuar funcionando bem, mas o coração torna-se mais suscetível a doença a capacidade de reserva do coração e de outros órgãos diminui.

Embora o cérebro mude com a idade, as mudanças variam consideravelmente, elas incluem perda ou redução das células nervosas e um retardo geral das respostas. O cérebro também parece ser capaz de produzir novos neurônios e formar novas redes neurais no decorrer da vida. Problemas visuais e auditivos pode prejudicar a vida cotidiana, mas, muitas vezes podem ser corrigidos. Transtornos visuais comuns são: catarata, e degeneração relacionada a idade, perdas no paladar e no olfato podem causar má nutrição.

Com atividades físicas é possível melhorar a força muscular, o equelibrio e o tempo de reação. Muitos idosos são sexualmente ativos, embora a frequência e a intensidade da experiência sexual geralmente sejam menores do que para adultos jovens.

4.5.3. Saúde Física e Mental

Grande parte das pessoas mais velhas principalmente aquelas que vivem uma rotina e um estilo de vida saudável tem uma saúde estável, é fato também que a grande maioria das pessoas mais velhas tem doenças crônicas, principalmente artrite, essa geralmente não limitam outras atividades que usam a cognição ou o funcionamento de outros órgãos vitais, não interferindo de forma tão decisiva na vida cotidiana, para isso se faz necessário exercícios e uma dieta balanceada para influenciar positivamente sobre a saúde, a periodente que é a perda de dentes, pode afetar seriamente a alimentação e consequentemente a nutrição dos idosos.

Existem transtornos mentais reversíveis e irreversíveis que acometem os idosos, lembrando que a maioria das pessoas mais velhas possui boa saúde mental. As doenças ou transtornos reversíveis são: depressão, alcoolismo entre outras doenças incluindo algumas formas de demência, e são reversíveis porque podem ser curadas através de um tratamento adequado. As doenças irreversíveis como: o mal de Alzheimer, mal de Parkinson ou demência de infarto múltiplo podem apenas serem amenizadas através de medicação adequada mas não há cura. Por isso são irreversíveis.

O mal de Alzheimer é mais prevalecente com a idade, é caracterizado pela presença de Emaranhados Neurofibrilares e de Placa Amiloide no cérebro, pesquisas apontam fatores genéticos para este mal, mas suas causas ainda não foram definitivamente estabelecidas. Para que esse processo de deterioração possa ser retardado terapias comportamentais e medicamentosas se fazem necessárias.

4.5.4. Desenvolvimento cognitivo 

É por meio da cognição que os seres humanos absolvem os conhecimentos, e que contribui para o desenvolvimento intelectual dos indivíduos, as habilidades cognitivas estão diretamente ligadas a fatores diversos como a linguagem, a percepção, o pensamento, a memória, atenção e o raciocínio dentre outro.

Em pessoas mais jovens, os processos cognitivos acontecem com maior fluidez e isso se deve a vários fatores principalmente, ao vigor da juventude. Nas primeiras fases do desenvolvimento humano, fatores interligados a cognição, proporciona ao individuo maior agilidade tanto no que diz respeito aos aspectos psicoemocional quanto, aos físico-biológicos.

Quando avaliado o nível cognitivo do sujeito que se encontra na última fase do desenvolvimento humano, fica evidente o seu declínio, principalmente nos aspectos ligados a atenção e a memória, influenciando o rendimento escolar, pois, os comprometimentos ocasionados pelas suas diminuições interferem diretamente no processo de aquisição de novos conhecimentos. Tal problemática se acentua através de comportamentos que contribui negativamente para o bom desempenho da cognição da pessoa idosa como, distanciamento do convívio social e familiar, depressão, estresse, o uso indevido de medicamentos e os problemas de ordem emocional, nutricional.

Tendo em vista o comprometimento intelectual do idoso, faz-se necessárias sugestões de atividades onde possam ser trabalhadas as habilidades perceptivas e de memorização destes indivíduos. Estudos comprovam que estímulos diretivos e adequados têm demonstrado resultados positivos com o sujeito aprendente da terceira idade fazendo com que estes não só recupere competências cognitivas perdidas, mas até pra superar seus limites anteriores (Papalia, 2010).

Através de inúmeras pesquisas científicas pode-se perceber a complexidade do processo intelectual do ser humano. Papalia (2010) em seu livro “desenvolvimento humano” faz distinção entre habilidades (inteligência) fluida e cristalizada:

A habilidade fluida depende muito da condição neurológica do sujeito aprendente enquanto que a habilidade cristalizada depende dos conhecimentos acumulados durante toda a vida do individuo. Esses dois tipos de inteligências seguem padrões diferentes. No padrão clássico de envelhecimento, entretanto, a tendência tanto na pontuação do desempenho como no verbal é de queda ao longo da maior parte da vida adulta; a diferença embora substancial é de grau (PAPALIA, 2010).

A referida pesquisa mostra que quando comparada a inteligência fluida com a cristalizada, esta se apresenta muito mais encorajadora, pois, tal habilidade cognitiva mesmo com o passar do tempo tende a se aperfeiçoar por um período maior da vida do adulto idoso, independente do declínio que ocorre com a inteligência fluida.

Diante das limitações psicológicas, físicas e neurológicas pelas quais passam a pessoa idosa, é importante uma melhor compreensão de seu ritmo, habilidades cognitivas e fragilidades características deste estágio do desenvolvimento humano, para que assim, possa ser feito intervenções diretivas e com objetividade tornando a pessoa idosa integrada dentro do processo de aprendizagem, não apenas no ambiente escolar, como também, em diferentes contextualizações socioculturais.

4.5.5. Desenvolvimento Psicossocial 

É um estágio de desenvolvimento em que as pessoas reavaliam suas vidas, fecham situações deixadas em aberto e decidem como melhor canalizar suas energias e passar seus dias ou anos restantes. Alguns querem deixar aos descendentes ou ao mundo suas experiências ou corroborar o significado de suas vidas. Outros querem apenas curtir seus passatempos favoritos ou fazer coisas que não fizeram quando jovens.

Fazendo referencia ao termo personalidade, este não possui uma definição única, e pode variar de acordo com os parâmetros estabelecidos em cada doutrina. Mas, de maneira geral, estudiosos a prescrevem como o conjunto de características psicológicas que marcam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, atitudes e comportamentos típicos, de um determinado ser humano.

Os traços de personalidade são mutáveis (SILVA e NAKANO, 2011; IRIGARAY e SCHNEIDER, 2007; 2009) também na velhice, podendo Referências não encontradas colaborar no processo adaptativo do envelhecimento, melhorando a saúde e priorizando a longevidade; desta forma, descreve-se a interligação da personalidade com os índices de resiliência, com os sintomas depressivos (transtorno de humor mais frequente), como também, com o bem-estar subjetivo.

A Personalidade muda na Terceira Idade?

Depende do modo como a estabilidade e a mudança são avaliadas. Podemos identificar:

Pessoas hostis
não costumam amadurecer com a idade a não ser que se submetam a tratamento psicoterápico;
Pessoas otimistas
tendem a permanecer assim;
Pessoas afetadas por neuroticismo
não há deterioração saúde física ou na função cognitiva.

Comparação por ordem de graduação as diferenças relativas são estáveis no período entre 50 e 70 anos. Estudos apontam uma estabilidade na terceira idade. A inflexibilidade ou aumento de rigidez não são atribuídos a idade e sim a experiência de vida. (Schaie & Willis, 1991). Faltando referência

Personalidade, Emotividade e Bem-estar

A Personalidade é um elemento prognosticador da emotividade e do bem-estar subjetivo. Emoções negativas auto reportadas como inquietação, tédio, solidão, infelicidade e depressão abrandaram-se com a idade (diminui após os 60 anos). E a emotividade positiva — excitação, interesse, orgulho e um senso de realização permanecem estáveis ate uma fase avançada e depois tem uma queda ligeira e gradual.

Teoria Seletividade sócio emocional explica que a medida que envelhecem, as pessoas tendem a procurar atividades e pessoas que as satisfaçam. Os mais velhos conseguem controlar as emoções que ao adultos mais jovens.

Dois dos mais fortes traços da personalidade: Extroversão personalidade extrovertida (expansiva e sociável) elevados níveis de emoções positivas e conservam ao longo da vida. E o neuroticismo personalidades neuróticas (instáveis, suscetíveis, ansiosas e inquietas) demonstram emoções negativas e tendem a se manter negativa. Este é um elemento prognosticador de humores e de transtornos de humor muito mais poderoso que a idade, a raça, o gênero, a renda, a educação ou o estado civil. (Costa e McCrae 1980).

Erick Erikson: questões e tarefas normativas

Senso de integridade do ego: fundamentada na reflexão da própria vida. Na oitava e ultima etapa do desenvolvimento psicossocial, as pessoas da terceira idade adquirem um senso de integridade do ego pela aceitação da vida que tiveram e assim aceitar a morte, ou se entregarem ao desespero pela impossibilidade de reviver suas vidas.

Nesta etapa pode se desenvolver a VIRTUDE que é sabedoria: “aceitar a vida que se viveu sem maiores arrependimentos, sem se alongar em todos os ‘deveria ter feito’ ou ‘como poderia ter sido’, o que significa aceitar as imperfeições em si próprio, nos pais, nos filhos e na vida”. Virtude tem que está em caixa alta mesmo?

A integridade deve ser mais importante que o desespero nesta etapa, para que seja resolvida com êxito. Segundo Erikson, algum desespero é inevitável pela vulnerabilidade da condição humana, mas mesmo quando as funções do corpo enfraquecem é necessário manter um “envolvimento vital”. Integridade do ego resulta da reflexão sobre o passado de contínuos estímulos e desafios.

Modelos de enfrentamento

Acho que esta divisão assim não ficou bonita.

Enfrentamento
é o pensamento ou comportamento de adaptação visando reduzir ou aliviar o estresse advindo de condições prejudiciais, ameaçadoras ou desafiantes. É um importante aspecto da Saúde Mental.
As Abordagens Teóricas de George Vaillant
o uso das Defesas Adaptativas maduras no enfrentamento de problemas em fases anteriores da vida. Por exemplo: o altruísmo, humor, persistência (no sentido de não desanimar), antecipação (de planos futuros), sublimação (redirecionando emoções negativas para atividades produtivas). O funcionamento das defesas adaptativas podem mudar as percepções das realidades que as pessoas são incapazes de modificar. As defesas Adaptativas podem ser inconscientes ou intuitivas. E o Modelo de Avaliação Cognitiva enfatiza estratégias de enfrentamento escolhidas conscientemente.

No Modelo de Avaliação Cognitiva as pessoas escolhem conscientemente estratégias de enfrentamento com base no modo como percebem ou analisam uma situação que sobrecarregue seus recursos normais:

Por Focalização no problema
para eliminar, administrar ou melhorar uma situação estressante;
Por Focalização na emoção ou enfrentamento paliativo
administrar a resposta emocional a uma situação de estresse para aliviar seu impacto físico ou psicológico.

Os adultos mais velhos tendem a usar o seguinte estilo de enfrentamento:

Figura 4.2. Estilo de enfrentamento utilizados pelos adultos mais velhos.

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